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sábado, 30 de maio de 2015

O Ciclo Feminino e a Lua

Boa tarde, pessoal!

Este artigo será mais direcionado às irmãs do que aos irmãos, mas também serve para que os irmãos possam compreender melhor suas companheiras, mães, amigas, namoradas e afins... :)
Vejo muita gente com dúvida em relação especialmente a identificar o seu ciclo como Ciclo da Lua Branca e Ciclo da Lua Vermelha (ou Negra), e intuitivamente identifiquei ambos em dois arquétipos do Tarô, e é através desta analogia que vamos compreender estas duas energias distintas.
Primeiramente gostaria de deixar as minhas mais sinceras desculpas por não estar conseguindo atender ao blog com um artigo por semana, e por conta disso, atrasei a série de artigos sobre o Xamanismo que está para finalizar, e também quero deixar o recado de que em vez de fazer uma série sucessiva de artigos sobre o Sagrado Feminino eu vou ir postando sobre esses temas aleatoriamente, pois é assim que eles têm vindo para mim (como agora, rs..), então na barrinha à sua esquerda além dos links sobre Xamanismo, daqui em diante haverá também os links sobre o Sagrado Feminino, como temas de destaque de meu estudo e trabalho.

Ofereço minha gratidão as meninas do grupo que administro no facebook "SAGRADO LIVRE FEMININO", pois não fossem as suas dúvidas, eu não teria essa inspiração para falar sobre esse tema agora, gratidão! _/|\_


O CICLO FEMININO E A LUA



É tradição ancestral relacionar o ciclo feminino com as fases da Lua, mais do que isso, relacionar todos os ciclos da vida com as fases lunares, colheita, plantio, fertilização, passagem do tempo, rituais de passagem, etc.

Não custa reforçar que a Lua exerce forte influência sobre as marés, sobre as plantas, sobre o clima, o comportamento dos animais, e o que muito se comenta sobre nosso corpo que é principalmente composto de água, mas também tal qual a toda a forma de vida, quando alinhada à natureza, acaba por entrar em ritmo, tudo na natureza é cíclico, assim como nós, e nossa vida.
Recentemente por meio das Terapias Holísticas, da volta do culto ao Sagrado Feminino e do Xamanismo enquanto Terapêutica, muitos espiritualistas e terapeutas têm atribuído curas emocionais, físicas e reequilíbrio geral através desse re-alinhamento com os ciclos naturais, e isto acaba se dando de forma mais incisiva na mulher, que vive os ciclos naturais mais intimamente, sendo todos os dias submetida pela sociedade a romper consigo mesma, com sua sacralidade, fugindo do próprio ritmo natural.


Como a Lua funciona sob a natureza vegetal e animal


















As quatro fases lunares podem ser associadas às quatro estações do ano também, mas de forma menos intensa.

Lua Nova: Quando a Lua se encontra entre o planeta Terra e o Sol, é pouco visível, pois a face que está voltada para a Terra não está sendo iluminada pelo Sol, ela aumenta a sua visibilidade diariamente.

Nos vegetais é uma lua boa para plantio e fertilização, pois precede o período de desenvolvimento e a seiva se concentra na raiz.

Nos animais, por ser uma fase escura, alguns animais aproveitam-na para a reprodução, outros já se recolhem para protegerem-se melhor dos predadores, e os mais noturnos a aproveitam melhor.

Obs.: A Lua Nova é a que marca o início nos calendários de tradição lunar.

Lua Crescente: Ângulo da Terra, do Sol e da Lua completamente retos, aparência de um "C".

Nos vegetais é uma lua também boa para fertilização e para poda, pois a seiva está subindo para caule e galhos e o corte não compromete a saúde da planta.

Lua Cheia: A sua totalidade é refletida na Terra, costuma ser de aparência grande, brilhosa e visível.

Nos vegetais é quando a seiva se concentra na copa, folha e assim dá-se origem a frutos e flores, momento bom para colheita.

Nos animais é período de aumento de caça majoritariamente, para compensar o período de lua escuro em que foi mais difícil conseguir alimento, também propício para reprodução, os animais mais noturnos caçam menos nesta lua.

Lua Minguante: Ângulo da Terra, do Sol e da Lua, novamente aproximadamente retos, desta vez diminuindo gradativamente de tamanho, ficando em forma de "C" invertido.

Nos vegetais a concentração de seiva passa a descer novamente, o final desta lua e início da Lua Nova são propícios para colher galhos e lenha pois com menor concentração de seiva eles secam mais fácil.


Como a Lua se manifesta sob a natureza humana

De forma geral, podemos dizer que a influência da Lua tanto em homens como mulheres (de uma maneira mística e psíquica) pode influenciar na ansiedade ou relaxamento, na libido, no apetite, na concentração e desenvolvimento mental, nas emoções e muito mais.


Ciclo da Lua Branca e Ciclo da Lua Vermelha (ou Negra)

Entretanto, nas mulheres esta conexão se dá de forma mais intensa de acordo com seu ciclo reprodutivo.

Não aprofundei na origem dos conceitos Ciclo da Lua Branca e Ciclo da Lua Vermelha (ou Negra), mas pelas minhas pesquisas em grande parte atribuem-se os conceitos à literatura de Miranda Gray.

A mulher pertencente ao Ciclo da Lua Branca é a mulher que tem seu ciclo reprodutivo quase que idêntico às fases lunares, ou seja, tem seu período de ovulação e fertilidade na Lua Cheia e seu período lúteo (menstrual) na Lua Nova ou nos 3 dias que a precedem, sendo estes três dias chamados de fase da Lua Negra, pois não há visibilidade alguma no céu, é um período de encerramento, morte.

Já a mulher pertencente ao Ciclo da Lua Vermelha é a mulher que possui o ciclo ao inverso das fases lunares, sendo assim, a mulher tem a sua menstruação na Lua Cheia e a sua fertilidade se dá na fase escura da lua (Lua Negra ou Lua Nova).

É importante que se confirme a lua da ovulação (e não só a da menstruação) para identificar exatamente a que ciclo a mulher pertence, pois existem mulheres de ciclos mais longos e mais curtos, e mulheres com ciclos mistos destes dois tipos ou em transição (muitas vezes por períodos de mudanças internas, de alimentação, desmame de anticoncepcionais, etc), o que posso dizer de minha experiência é que com o tempo o ciclo se adapta quase que perfeitamente a um destes dois, podendo mudar ao longo da vida de um para o outro conforme for necessário.

A grande dúvida da maioria das mulheres é: o que isto significa afinal? O que a Lua me traz sendo da Lua Branca ou da Lua Vermelha? Como me conectar com esse ritmo? Especialmente as da Lua Vermelha, o ciclo inverso, como conectar-me com a Lua Cheia, com a fertilidade da natureza enquanto passo por meu período de morte, de transformação?

Pensando nisso, trouxe então, como dito, dois arquétipos dos Arcanos Maiores do Tarô, que, como a maioria deve saber, mais do que um instrumento divinatório, é um instrumento de autoconhecimento e evolução com simbologias milenares oriundas da antiga Cabala e das antigas sociedades secretas de magia.


Os Arquétipos d'A Imperatriz (A Mãe) e A Sacerdotisa (A Bruxa)


Imagem das minhas lâminas do Tarô de Waite.


A Imperatriz (Mulher da Lua Branca):

A Imperatriz é a personificação do arquétipo da Mãe, da criação e da criatividade, aquela que acolhe, está ligada ao amor conjugal, familiar, é o feminino criador integrado ao masculino, está mais ligada a energia material e externa.

A mulher da Lua Branca é a que tem seu ciclo conforme o ciclo da Lua, está fértil quando toda a terra fertiliza-se (na Lua Cheia), e tem sua fase de morte/transformação na lua escura, seguindo o ritmo lunar, ou seja, esta energia expansiva e criativa da Lua Cheia é usada para criação externa, maternidade, são mais expansivas, espontâneas e sociais.

A Sacerdotisa (Mulher da Lua Vermelha ou Negra):

A Sacerdotisa representa a intuição, a face donzela da Deusa, mas não uma donzela ingênua, uma mulher de vocação sacerdotal, uma mulher de conhecimento, uma mulher que muitas vezes "abre mão" do conforto do amor familiar e conjugal para viver a Verdade do amor incondicional, do amor divino, está para além de bem e mal, em alguns baralhos ela possui aparência pouco mais madura, é também chamada de A Papisa.

A Mulher da Lua Vermelha ou Negra é aquela que tem o ciclo da sua lua inverso ao da Lua cósmica, ou seja, quando toda a vida está fértil sob a influência da Lua Cheia, a mulher em seu período lúteo volta para si mesma, é uma fase muito psíquica, o desenvolvimento é interior, e em sua fase de criação a Lua encontra-se em sua fase escura, de forma que esta energia de criação na mulher deste ciclo é sempre canalizada para o interior, para o intelecto, com fins de transformação, mesmo a sexualidade é mais voltada para si do que para o outro, mais ligada à magia e a prática espiritual do que à concepção.

Como eu já disse antes, as mulheres podem oscilar ao longo da vida entre estas duas formas de ciclo, ou ainda uma mista, pouco comum. 


Anticoncepcionais

Por minha experiência pessoal posso dizer que quanto maior é a observação dos sinais do corpo, mais alinhado fica o seu ciclo, é um estudo de si mesma, ainda enquanto método de contracepção natural eu recomendo o Simpto Termal que consiste na análise da temperatura basal, mais a análise do muco cervical e a abertura e posição do cérvix (deixando claro que estes métodos não protegem de DSTs), através da temperatura basal é já facilmente notado o período de ovulação, e a análise do muco também é uma das mais simples formas de saber quando se está ovulando.

O uso do anticoncepcional impede um fluxo natural e inibe uma atividade do corpo da mulher que é a ovulação, o que causa desequilíbrios energéticos e físicos, sem falar nos riscos à saúde que hoje já são conhecidos e comprovados, há um aumento muito grande de mulheres com cistos, tromboses e outros problemas.


Falo especialmente para aquelas mulheres que tomam comprimidos que inibem inclusive a menstruação, isto é muito prejudicial energeticamente, é sabido primordialmente entre as sociedades tribais que no período de Lua a mulher está fazendo uma limpeza energética em si própria e em todo o ambiente, por ser receptiva por natureza (polo negativo) e especialmente nesse período, o bloqueio do fluxo menstrual não bloqueia esta função, mas bloqueia o fluxo de energias, o que faz muitas vezes com que a mulher viva numa espécie de "TPM eterna", absorvendo energias e não dando vazão a elas para que sejam transmutadas através do fluxo do Sangue Sagrado.

O corpo leva de 4 meses a 1 ano para se purificar da substância do anticoncepcional e regular o ciclo menstrual, a depender do medicamento utilizado, e especialmente se sua dosagem hormonal era alta ou baixa, e do tempo em que a mulher vinha o utilizando.


Plante sua Lua

Ouvi num ritual de mulheres recentemente por uma madrinha muito querida a seguinte frase "houve um tempo em que o único sangue derramado sobre a Terra era o sangue da Lua, quando não existiam guerras", esta frase toca muito.

O nosso sangue é o nosso DNA, a nossa energia contida ali, a nossa ancestralidade, e nós descartamos este sangue como lixo, sem falar no verdadeiro acúmulo de lixo que é o que se faz com o uso de absorventes descartáveis, que também são prejudiciais ao nosso corpo em suas substâncias que provocam alergias, aumento do fluxo, mau cheiro e mesmo o desconforto e as cólicas.




Sempre existiram alternativas mais naturais, porém isto não é incentivado por nosso sistema que se confunde em comércio e medicina por vezes. Você pode usar toalhinhas, hoje já existem bioabsorventes fabricados em maioria artesanalmente no formato de um absorvente descartável, custam em torno de R$ 10,00 a R$ 20,00 cada um e tem longa duração. E outra alternativa são os coletores menstruais que são copinhos de silicone reutilizáveis e totalmente atóxicos que são inseridos no canal vaginal de forma que o sangue sequer chega a entrar em contato com a parte externa, ganha em conforto e praticidade também, custando em torno de R$ 80,00 a R$ 150,00, têm duração de até cerca de 8 anos ou mais.


















Plantar a sua Lua é devolver o seu sangue para a Mãe Terra, tanto como fertilizante para as plantinhas, mas também em gratidão e transmutação de energias antigas, esta é a melhor maneira de descartar o seu sangue menstrual, existem muitos ritos, existem mulheres que armazenam seu sangue em vasos menstruais, que montam altares menstruais, tudo vai depender da sua disposição e das tradições as quais você possui afinidade, mas honrar o seu Sagrado Feminino é sempre uma benção.


* Observação importante: As datas de fases da Lua marcadas nos calendários tradicionais marcam a data do ápice daquela determinada fase da lua e não o seu início, sendo o seu início então 3 dias antes da data marcada no calendário e seu final 3 dias depois desta data, totalizando assim os 7 dias de uma fase lunar.


Alguns links que podem ser do seu interesse:




sexta-feira, 20 de março de 2015

III. Xamanismo e Sagrado Feminino

Boa tarde, amados!

Compartilho o terceiro artigo da série sobre o Xamanismo, o tão esperado Sagrado Feminino, possivelmente o próximo será Xamanismo no Mundo, a série vai continuar sendo postada quinzenalmente, porém as postagens do blog agora serão semanais pelo aumento do fluxo de conteúdos!

Em breve postagens também sobre vegetarianismo e veganismo, e resenhas de alguns produtos naturais. :)

Clique para ler a Introdução ao Xamanismo.

Bons estudos! Aho!

III. XAMANISMO E SAGRADO FEMININO





Após esclarecidos os principais temas dessa série que é o introdutório ao Xamanismo e sua mais forte característica que é a Enteogenia e a expansão de consciência, vamos falar sobre um tema muito bonito e muito diverso que permeia também sobre as culturas xamânicas, o Sagrado Feminino.

Porque o Sagrado Feminino é algo tão forte no Xamanismo? Pela sua origem nas civilizações tribais, daí encontramos a origem do Sagrado Feminino, se é que pode-se dizer que ele um dia foi "criado", creio mais que ele seja algo que sempre existiu em si mesmo e que para sempre existirá.

No princípio, quando o ser humano não possuía a racionalidade desenvolvida como se dá nos dias de hoje, todas as suas práticas e ações se davam por instintos, intuição e observação da natureza, assim como hoje vivem os animais, e algumas tradições indígenas que tentam preservar esta conexão natural. Desta forma viviam a base de um dos primeiros sentimentos mais naturais, o medo, especialmente o medo do desconhecido (tão enraizado em nós até hoje) e foi assim que os humanos foram aprendendo a rezar, o principal medo era de que o Sol não voltasse a aparecer, e assim foram sendo criados rituais para honrar ao Deus Sol, para que o povo nunca tivesse que viver na mais profunda escuridão.

Em algum momento na pré-história ocorreu que começaram a se questionar sobre a origem de si mesmos, dos animais, e assim, do Universo. Observando a natureza e o que havia em comum entre ela e os humanos, percebeu-se que o ser fêmea era aquele que tinha o poder de criar, de conceber uma outra vida, logo, a mulher foi talvez tida como Deusa, a detentora dos mistérios da criação, afinal, de início não percebeu-se de cara qual era a participação do homem no processo de gestação, e sendo assim, sendo a mulher a criadora da vida, seria ela a mesma que também ceifa a vida daqueles que não merecem mais estarem na Terra por alguma razão, a mulher era temida e respeitada, mas muito mais reverenciada. Além dos animais (que muitos têm órgãos reprodutivos semelhantes aos dos humanos), a flora, as montanhas, as paisagens, tudo passou a ser associado com o feminino, porque em verdade, assim o é, a natureza é primordialmente feminina, gestadora.





Um dos maiores mistérios femininos a ser observado no princípio da história: ela sangra! Quem nunca ouviu aqueles velhos ditados do tipo "como confiar em alguém que sangra por 7 dias e não morre?", havia de ser algo muito sagrado mesmo (deveriam pensar os homens pré-históricos), e assim a primeira ideia do que seria uma Divindade foi associada obviamente ao feminino, e assim por anos e anos foram as sociedades matriarcais ou matrifocais, enquanto os seres humanos iam desenvolvendo-se intelectualmente.


Daí a associação com o Xamanismo, porque afinal, sendo o Xamanismo o princípio de toda a religiosidade, o mais intrínseco e inato culto a Divindade-Natureza, a Mãe-Terra, só podemos dizer que o Sagrado Feminino é parte fundamental do Xamanismo e que a partir dele é que foram criando-se rituais e doutrinas de culto ao Feminino Sagrado.

O Sagrado Feminino jamais pode se limitar ao ser humano mulher, pois é muito mais do que isso, é o próprio princípio gestador e criador do Universo e da Natureza, abrangendo TAMBÉM o ser mulher, e logo, o ser homem, os animais machos, pois tudo provém do Feminino e tudo o contém, todo macho nasceu de uma fêmea, até mesmo em nossos genes se pararmos para uma reflexão: Por que mulher XX e homem XY, em vez de YY?




Com o desenvolvimento de uma religiosidade um pouco mais elaborada nas civilizações, quando os humanos passaram a reunirem-se em tribos e formarem famílias e comunidades foi muito explorado nas mulheres os dons espirituais (clarividência, clariaudiência, psicofonia, incorporação, vidência através de oráculos, cura, etc), é aí que surge a ideia da Bruxa, da Velha Curandeira, e através das tradições orais mulheres foram passando de mãe para filha as sabedorias mais ocultas do feminino. Sendo a natureza feminina, quem haveria de ter o dom de manipulá-la? A mulher.

As civilizações tribais antigas possuíam, e algumas ainda possuem uma visão de mundo completamente diferente da urbana e atual, como se vivessem em uma espécie de dimensão diferente, pois sua religiosidade é tão enraizada que não existe a separação de profano e sagrado, todos os atos são sempre sagrados, é como se a sua psique funcionasse de forma diferente, e isso é algo que fica muito claro também nas narrativas de Carlos Castañeda. Então, além dos dons espirituais mais conhecidos pelos meios urbanos, era explorada também entre as mulheres a religiosidade e a sacralidade em atos hoje talvez considerados comuns como trançar os cabelos umas das outras, tecer e fiar roupas e acessórios (com suas grafias e desenhos igualmente sagrados), fabricação de artesanatos diversos para uso comum como cestos e utensílios de cozinha, o ato de cozinhar e até mesmo o ato sexual, entre outras práticas comuns.

E por diversas razões fundadas sempre no ego humano, o nosso grande opositor, o verdadeiro mal do mundo, o eu inferior (quando não devidamente "controlado"), o matriarcado caiu com o tempo e surgiu o patriarcado, não vou aprofundar nas razões nesse momento, pois pretendo discorrer melhor sobre esse assunto na série de artigos exclusiva sobre o Sagrado Feminino que virei a escrever em breve, mas podemos dizer que após essa transição a mulher de respeitada e honrada passou a mais do que nunca ser temida por seus poderes, o que resultou em anos de opressão, perseguição e violência, e foi aí que perdemos grande parte de nossa sabedoria oculta, perdemos o próprio respeito pelos nossos mistérios e muitas passaram a odiarem e rejeitarem os seus próprios corpos, sua menstruação, sua capacidade de conceber, a ideia de ser mãe, de cozinhar, porque a mulher foi tão diminuída nessas qualidades que a própria mulher não é capaz muitas vezes de ver a sacralidade nesses atos, que hoje causa até vergonha, a mulher hoje quer ser como o homem, porque o patriarcado faz parecer que o homem é superior, então a mulher raramente busca se empoderar em si mesma, mas na ideia de ser "igual" aos homens (sem entrar na questão da orientação sexual ou identificação de gênero diversa, pois são situações igualmente diversas, mas falo de mulheres heterossexuais que se identificam com o gênero mulher, mas frequentemente rejeitam o que é inerente ao feminino por conta da deturpação patriarcal, que faz-nos ver como as "Amélias" quando somos as mulheres "do lar").

Cada mulher é diferente em sua personalidade, há mulheres que gostam de aventura, de trabalho pesado, e há mulheres de personalidade delicada, e ambas possuem o Sagrado Feminino em si, os arquétipos das Deusas são totalmente diversos em quase todas as tradições, elas não seguem um padrão, assim como mulher nenhuma deve seguir um padrão, especialmente falando das tradições nativas brasileiras (as quais mais me afino), temos a Jurema representada como a Mãe Divina no culto de uma árvore sagrada, sua lenda conta a história de uma mulher guerreira, que foi Cacique de sua tribo e morreu sob a flecha que seria atirada no homem amado. Sobre essas questões quero dizer que a mulher pode ser o que for, que ela não deve se envergonhar e muito menos se diminuir por conta de trabalhos inferiorizados pela sociedade como "coisa de mulher", porque coisa de mulher é coisa muito sagrada, basta aprofundar e conhecer, e mais do que isso permitir-se e quebrar pré-conceitos.




Hoje o culto ao Sagrado Feminino vêm voltando muito forte, na Nossa Senhora da Conceição cultuada na doutrina do Santo Daime, nas Yabás de Umbanda e Candomblé, nas Deusas da Wicca e outras tradições mais voltadas a um Neoxamanismo ou Bruxaria, há quem diga sobre o efeito que isso têm sob a transição planetária e a ideia de uma Nova Era, onde o que reina é a igualdade para TODOS. Em muitas tradições vemos ao lado da divindade masculina uma mulher que representa o Amor Divino, o Amor por Deus, ou de Deus (Maria, Maria Madalena, Radharani, Tulasi Devi, Oxum, etc), só se chega a Deus pelo Amor (representado pela Mãe/Deusa), só se chega a Deus pela Deusa, o Feminino é a mais pura personificação do Amor na Terra e ele está vivo em todos nós.

O Sagrado Feminino retorna nos cultos Neoxamânicos nos círculos/rodas de mulheres através dos cantos, tambores e outros instrumentos musicais, dança circular e outras danças, partilha do cachimbo sagrado, partilha de vivências, conversa, palestras acerca de tratamentos naturais com ervas, rituais com a Sagrada Ayahuasca, Sagrado Rapé e de Temazcal (Tenda do Suor) só para mulheres, trabalhos de cura do Feminino, estudo de arquétipos inconscientes do feminino na forma de contos e histórias, reavivando também pinturas sagradas corporais de tradições indígenas, parto natural humanizado e ritualístico e muito mais.


Salve a nossa Grande Mãe Terra! Salve a Divindade Interior Feminina que nos habita!

Ryshy Kay Ará! _/|\_


Leia outros artigos da série sobre o Xamanismo:



Leia outros artigos da série sobre o Sagrado Feminino:




terça-feira, 16 de dezembro de 2014

Princesa da Mata

Boa tarde, amados irmãos e irmãs!

Hoje venho compartilhar uma poesia que comecei sem pretensão alguma sobre algumas coisas simples que gosto e se tornou o que para mim foi uma revelação profunda do meu lado guerreira, da minha alma vermelha e da minha honra a tudo aquilo que vive, ao Grande Mistério Divino, reconhecendo em cada pequena coisa, uma parte do Eu.


Espero que gostem! Aho! :)


PRINCESA DA MATA

Pessoa simples que senta no chão, que sorri pro desconhecido, que abraça apertado, que olha mais pros seus olhos do que pras suas vestes, que aceita a viagem, que pisa descalça na grama, na lama, na areia e gosta de sentir a natureza entre os dedos dos pés, que não se importa de caminhar, de dormir no chão, ou de varar a noite acordada só pra contemplar os primeiros raios do Rei Sol.

Na mata eu sou Princesa, sou filha do Rei.

Sou mulher de flores, não de jóias... Ou melhor, sou mulher de sementes, de plantas sem nome, rasteiras, sou do tipo de gente que abraça árvore e bate palmas pro Rei Sol, sou daquelas que pedem licença pra entrar na mata e que se curvam de joelhos perante Deus, que louvam aos ancestrais na fumaça do cachimbo, no bater de palmas, no bater dos pés e no toque do tambor...

Eu sou mulher. Mas também sou homem.

Sou os braços do guerreiro e da donzela eu sou a lágrima do Amor, sou o menino que corre e a menina que canta, o velho curador e a velha que tece a vida...

Eu sou a saudade da Terra, a tristeza do Mar, o sereno da Lua, da índia eu sou o cocar... Sou cada pena arrancada da ave moribunda, e que por ter passado por elas nos voos, eu sou então o Vento de todo o lugar. Eu sou o Fogo que crepita na fogueira, sou cada tronco queimado lá.

Dos sinos sagrados, eu sou o Som, sou o tilintar.

De toda a Vida, eu sou tudo o que vibra, não só humana e terráquea, eu sou Alma Divina...

Vinda do Juremá.